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Autoestima: por que é tão difícil gostar de si mesmo

Gostar de si parece fácil no papel e difícil na prática. Uma conversa sincera, sem fórmula mágica, sobre como melhorar a autoestima olhando a própria história.

Um pequeno vaso com uma planta em frente a um espelho redondo, refletindo a planta mais iluminada e florida do que ela parece de fora.

Experimente uma coisa: pense em três qualidades suas. Agora pense em três defeitos. Aposto que a segunda lista saiu mais rápido, com mais detalhes e talvez até com exemplos ilustrados. A primeira provavelmente veio com um "ah, sei lá, eu sou... organizado?". Não se preocupe, você não está sozinho nessa.

A pergunta sobre como melhorar a autoestima chega de muitos jeitos. Às vezes vem direta, às vezes disfarçada de "não consigo me olhar no espelho", "acho que todo mundo é melhor do que eu", "não sei por que ele gosta de mim". Vamos conversar sobre isso com calma, sem frase de efeito e sem post motivacional com pôr do sol.

O que é autoestima, afinal

Autoestima é, de forma bem simples, o jeito como você se enxerga e se trata por dentro. É a voz que comenta tudo o que você faz, aquele narrador interno que às vezes parece um amigo e às vezes parece um crítico de cinema mal-humorado.

Ela não é fixa. Oscila conforme o dia, a fase, as relações. E não tem a ver com se achar o máximo. Uma autoestima mais saudável se parece mais com uma convivência pacífica consigo mesmo: reconhecer qualidades, aceitar limitações e não se demitir de si a cada erro.

De onde vem a dificuldade de gostar de si

A psicanálise ajuda a entender que a forma como nos vemos foi sendo construída a partir do olhar dos outros, especialmente lá no começo da vida. Uma criança ainda não sabe quem é. Ela vai se descobrindo no olhar de quem cuida dela. Se esse olhar foi acolhedor, ela aprende que tem valor. Se foi crítico, distante ou imprevisível, ela pode aprender outra coisa.

Essas lições ficam guardadas no inconsciente e continuam valendo, mesmo quando a vida adulta já mostrou o contrário. É por isso que elogio às vezes não entra. A pessoa ouve "você fez um ótimo trabalho" e a voz interna corrige na hora: "fez nada, foi sorte".

A gente costuma se tratar com a voz que ouviu, e não com a voz que merece.

As redes sociais não ajudam

Tem também um fator bem contemporâneo. Rolar o feed é como entrar numa vitrine infinita de vidas editadas: a viagem perfeita, o corpo perfeito, a carreira perfeita, o café da manhã com a luz perfeita. E a gente compara os bastidores da nossa vida com os melhores momentos da vida dos outros. Escrevi sobre isso em comparação nas redes sociais, porque esse hábito corrói a autoestima de um jeito silencioso.

Como melhorar a autoestima sem fórmula mágica

Vou ser honesto: repetir afirmações positivas na frente do espelho não costuma funcionar quando a voz crítica é antiga e poderosa. É como colocar um adesivo de "tudo bem" num carro com o motor batendo. O que tende a ajudar é um trabalho mais de fundo.

Escutar o crítico interno

Em vez de brigar com essa voz, vale prestar atenção nela. O que exatamente ela diz? Em que situações aparece mais? Com o tempo, muita gente percebe que essa voz tem sotaque conhecido: lembra um pai, uma professora, um irmão mais velho, uma frase repetida na infância. Reconhecer a origem não cala a voz, mas tira dela o status de verdade absoluta.

Reparar nas próprias armadilhas

Quem não gosta muito de si às vezes, sem perceber, cria situações que confirmam essa crença. Deixa de se candidatar à vaga, larga o projeto antes de terminar, escolhe relações em que é pouco valorizado. É o famoso "eu sabia que não ia dar certo", com a parte em que a gente ajudou a não dar certo convenientemente esquecida. Falo mais disso no texto sobre autossabotagem.

Ter um lugar onde se possa errar

Autoestima também se fortalece quando a gente experimenta ser imperfeito diante de alguém e continua sendo acolhido. Isso pode acontecer numa amizade, num relacionamento, e também na terapia, onde você pode mostrar as partes que não ficam bem na foto sem medo de ser avaliado.

Gostar de si dá trabalho (e vale)

Não existe um dia em que você acorda com a autoestima pronta, como quem recebe uma encomenda. É um processo, cheio de idas e vindas. Tem dias em que você se olha com carinho e dias em que a voz crítica volta com tudo. Faz parte.

O que muda, com o tempo, é a relação com essa voz. Ela pode continuar falando, mas você deixa de obedecer a tudo o que ela manda. Se quiser saber mais sobre esse caminho de se conhecer melhor, a página de autoconhecimento traz um pouco mais.

E se você quer olhar para essa história com alguém do seu lado, sem cobrança de virar outra pessoa, me escreve por aqui. Pode chegar do jeito que está. Inclusive com a lista de defeitos na mão.

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