Luto não é só sobre morte
Quando a gente fala em luto, pensa logo na morte de alguém querido. Mas também vivemos luto quando um casamento termina, quando perdemos um emprego, quando mudamos de país, quando um sonho não se realiza ou quando a saúde muda. Toda perda importante mexe com quem a gente é.
O que é comum sentir
- uma tristeza que vem em ondas, às vezes do nada;
- raiva, culpa ou a sensação de que poderia ter feito diferente;
- cansaço, falta de vontade e dificuldade de concentração;
- vontade de se isolar, ou o contrário, de se ocupar o tempo todo para não pensar;
- a impressão de que os outros esperam que você já tenha superado.
Nada disso quer dizer que tem algo errado com você. São jeitos de o luto acontecer.
Quando o luto fica pesado demais
Às vezes o tempo passa e a dor não sai do lugar. Ou você nem consegue chorar, como se tivesse congelado. Às vezes uma perda nova acorda outras, antigas, que nunca foram vividas direito. Nesses casos, conversar com alguém faz muita diferença.
Como a terapia ajuda
Na terapia, você tem um lugar para falar de quem ou do que perdeu, quantas vezes precisar. Falar das lembranças, do que ficou por dizer, da raiva e da saudade. Freud chamou esse processo de trabalho do luto: aos poucos, a dor vai abrindo espaço para a vida continuar, sem que quem se foi precise ser esquecido.
Superar não é esquecer. É conseguir lembrar sem que doa do mesmo jeito.
Perguntas sobre luto
Tem um tempo certo para o luto passar?
Não. Cada pessoa vive o luto do seu jeito e no seu tempo. O que vale observar é se a dor está impedindo você de viver por muito tempo.
Faz sentido fazer terapia por causa de um término?
Faz, sim. Um término também é uma perda, e às vezes dói tanto quanto uma morte. Não existe perda pequena demais para ser cuidada.
Perdi alguém há muitos anos e ainda dói. É normal?
Pode acontecer, principalmente quando a perda não pôde ser vivida na época. A terapia ajuda a dar lugar a esse luto que ficou guardado.