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Crise de ansiedade: o que fazer na hora e o que fazer depois

Coração disparado, falta de ar, medo de morrer. Crise de ansiedade: o que fazer na hora para atravessar a onda e depois para entender o recado.

Silhueta de pessoa de costas na areia observando uma grande onda que recua para o mar ao amanhecer.

Você está na fila do banco, ou no meio de uma reunião, ou simplesmente esparramado no sofá vendo série. De repente o coração dispara, o ar parece não entrar direito, as mãos formigam e chega uma certeza absurda e muito convincente: alguma coisa terrível está acontecendo. Talvez um infarto. Talvez você esteja enlouquecendo. Talvez as duas coisas, com brinde.

Quem já passou por isso sabe que não tem nada de exagero. Uma crise é uma experiência intensa, e é comum a pessoa sair dela com medo da próxima. Por isso, vamos falar de crise de ansiedade e o que fazer em dois tempos: na hora em que ela chega e depois que ela passa.

Primeiro, uma palavra sobre o corpo

Antes de tudo, um cuidado: dor no peito, falta de ar e formigamento também podem ter causas físicas. Se for a primeira vez, ou se você tiver qualquer dúvida, procure atendimento médico. Ligar para o SAMU no 192 numa situação assim é prudência, e ninguém vai achar exagero. Terapia não substitui avaliação médica.

Quando a parte física já foi investigada, ajuda entender o que está acontecendo. Numa crise, o corpo entra em modo de alarme, como se houvesse um perigo real bem na sua frente. Só que o perigo não está na sala. O alarme tocou, mas não tem incêndio. E o corpo, coitado, faz o que sabe fazer: acelera tudo para você fugir ou lutar.

Crise de ansiedade: o que fazer na hora

Não existe botão de desligar, e eu desconfio de quem promete um. Mas algumas coisas costumam ajudar a atravessar a onda com menos sofrimento:

  • Solte o ar devagar. Mais do que puxar o ar, vale soltar com calma, como quem apaga a velinha de aniversário em câmera lenta. Expirar devagar ajuda o corpo a entender que pode baixar a guarda.
  • Volte para o lugar onde você está. Repare em coisas concretas: a textura da roupa, o barulho da rua, a cor da parede, o peso do corpo na cadeira. A crise puxa a cabeça para um futuro catastrófico, e o ambiente traz de volta para o agora.
  • Diga para si o que está acontecendo. Algo como “isso é uma crise de ansiedade, já senti antes, ela passa”. Parece pouco, mas nomear tira um pouco do poder do susto.
  • Não brigue com a onda. Tentar expulsar a crise na marra costuma dar mais combustível a ela. Deixar que venha, sabendo que vai baixar, tende a funcionar melhor.

Se tiver alguém de confiança por perto, pode pedir companhia. Não precisa explicar muito. Às vezes só a presença de outra pessoa já ajuda o chão a voltar a ser chão.

E depois que passa?

A crise vai embora, mas costuma deixar rastro: cansaço, vergonha e um medo bem específico, o medo de ter outra crise. Esse medo pode virar vigilância constante. A pessoa começa a evitar lugares, a checar os batimentos no relógio, a recusar convites. A vida vai encolhendo para caber no medo.

É aqui que vale olhar com mais atenção. Uma crise raramente surge do nada, mesmo quando parece. Na psicanálise, a gente entende a ansiedade como um sinal: algo dentro de você está pedindo atenção, mas ainda não encontrou palavras. Pode ser um conflito que você vem empurrando com a barriga, uma raiva que não tem onde caber, uma mudança que assusta mais do que parece.

O alarme toca alto porque ninguém ainda ouviu o recado.

A noite como palco

Muita gente percebe que a ansiedade cresce justamente quando o dia acaba. Sem tarefas, sem barulho, sem distração, os pensamentos aumentam o volume. Se esse é o seu caso, talvez você se identifique com o que escrevi sobre ansiedade à noite e a cabeça que não desliga na hora de dormir.

Quando é hora de buscar ajuda

Se as crises se repetem, se você está deixando de fazer coisas por medo delas, ou se a ansiedade virou companhia fixa, vale procurar cuidado. Um médico ou psiquiatra pode avaliar a parte do corpo e, se for o caso, conversar sobre tratamento. A terapia entra como um espaço para entender de onde vem esse alarme e o que ele está tentando dizer.

Na página sobre ansiedade e angústia eu conto um pouco de como esse trabalho costuma acontecer. Não tem fórmula, tem conversa. Uma conversa que vai, aos poucos, transformando sintoma em história.

E se em algum momento a angústia vier junto com pensamentos de morte ou vontade de se machucar, procure ajuda imediatamente: o CVV atende 24 horas pelo 188, de graça.

Se você anda convivendo com crises e quer entender o que elas estão tentando te contar, me chama por aqui. A gente marca uma conversa no seu ritmo, sem pressa.

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